A21F80BC-DFAD-44F7-9215-796A608FB84E.JPE

cão de pedra - 2018 - xilogravura em papel de arroz - 64 x 97 cm - 

edição 1/3 + pa

F7CC841A-018E-4A9C-97B3-740E152C54C0.JPE

grande olho - 2018 - xilogravura em papel de arroz - 64 x 97 cm - 

edição 1/3 + pa

 

"XII.
Estou sozinha se penso que tu existes.
Não tenho dados de ti, nem tenho tua vizinhança.
E igualmente sozinha se tu não existes.
De que me adiantam
Poemas ou narrativas buscando
Aquilo que se não é, não existe
Ou se existe, então se esconde
Em sumidouros e cimos, nomenclaturas
Naquelas não evidências
Da matemática pura? É preciso conhecer
Com precisão para amar? Não te conheço.
Só sei que me desmereço se não sangro.
Só sei que fico afastada
De uns fios de conhecimento, se não tento.
Estou sozinha, meu Deus, se te penso."


(Hilda Hilst - 1984 – Poemas Malditos, Gozosos e Devotos - Da Poesia - São Paulo, Companhia das Letras, 2017)

Os trabalhos Cão de Pedra e Grande Olho integram um corpo de estudos e operações tradutórias das obras literárias da brasileira Hilda Hilst (1930-2004). Fizeram parte da exposição Veras, com curadoria de Josué Mattos, montada em 2018, na Casa Goia (São Paulo - Brasil). As matrizes usadas na composição das gravuras, são reflexos das ondas sonoras da voz da artista Karina Machado, registradas durante a leitura de nomes de Deus coletados das obras de Hilda Hilst, irrogados por ela em seus textos e poemas. No intuito de abeirar terra e céu, divino e profano, assim como Hilda evidenciava em sua vida e obras, a artista imprime traços do sangrar humano sobre o "sagrado". 

IMG_2223.jpg

cão de pedra e grande olho - 2018 - vista parcial da exposição veras - curadoria de Josué Mattos - Casa Goia - São Paulo, Brasil - 2018