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As Reservas do Sudeste, nos Estados de São Paulo e Paraná, foram declaradas Patrimônio Natural da Humanidade, especialmente por compreenderem o maior remanescente contínuo da Mata Atlântica brasileira. O projeto artístico Coincidentes nasceu nas fronteiras dessas zonas de proteção ambiental, junto a foz do Rio Ribeira de Iguape, região rica em manguezais e considerada um dos cinco maiores criadouros marinhos do mundo. As bordas, o interior e pontos quase invisíveis da flora desse tesouro nacional compõem uma série de imagens que são levadas a público encobertas por uma camada de tinta prata removível, em alusão ao jogo de sorte no qual é necessário raspar para revelar o prêmio. É sugestivo que as imagens, assim como as espécies da mata, mantenham-se ocultas, inacessíveis, efetivamente preservadas, como algo que se tem sem conhecer, que se guarda sem enxergar. Em ambivalência e sincronicamente, pelo arquétipo ou pelas fendas criadas nas obras pela artista, é instigante o desvelar das imagens; ainda que tal intenção gere rastros de destruição.

E com este jogo um tanto perturbador, a artista propõe o desenhar de um caminho reflexivo e coincidente para o desvendar e o preservar, para o oculto e o visível.

   

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impressão em papel awagami fine art kozo 70gr  •  moldura de madeira tratada pintada de cinza •  vidro coberto por massa de cor prata raspável  •  337 x 37 x 5 cm •  2017

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