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rastro de corpo sonoro - 2017/2018 - desenhos com grafite em papel vegetal -  80 x 160 cm - edição 1/3 + pa

O trabalho parte de textos e entrevistas de Hilda Hilst, em especial daquelas em que a poeta trata o escrever como inspiração que atravessava seu cotidiano, fundindo o espaço, o corpo e seu interior com a própria linguagem.

Apesar do silêncio que envolvia seu anfêmero ato de criar e de traduzir sopros, Hilda imprimiu uma escrita ressonante, harmônica e primorosamente ritmada. Certos trabalhos revelam apropriação de procedimentos musicais e muitos títulos, de poemas e livros, nos carregam inteiramente ao universo sonante: Balada de Alzira (1951), Ode Fragmentaria (1961), Sete Cantos do Poeta para o Anjo (1962), Moderato Cantabile (1974), Prelúdios-Intensos para os Desmemoriados do Amor (1974), Cantares de Perda e Predileção (1983), Cantares do sem Nome e de Partidas (1995), entre outros. Investigando o corpo como laboratório sonoro e do silêncio, a artista Karina Machado discute a noção de produção artística como algo completamente inserido no cotidiano. 

Na Casa do Sol, onde Hilda Hilst viveu por quase 40 anos, a artista registrou em fotografia ao longo de 24 horas todos os movimentos de seu corpo, de 5 em 5 minutos. Seu processo, desenvolvido em parceria com o músico e artista Eduardo Borém, inclui uma tradução desses registros de imagens de seu corpo em desenhos e a transposição destes para uma espécie de partitura musical. A obra apresenta os processos de tradução e uma peça sonora.

“… Contente de mim mesma me inauguro sonora …”

 

(Hilda Hilst - 1961 - Ode Fragmentária - Heroicas -

Da Poesia - São Paulo, Companhia das Letras, 2017)

 “… Poesia é algo de especial. Subitamente você sente alguma coisa diferente. O João Cabral fala horrores da inspiração, mas existe, sim, inspiração. Você fica mesmo com febre quando a poesia acontece. Durante alguns dias você fica tomado por alguma coisa que você não sabe o que é, com uma espécie de febre interior. Quando eu releio as minhas poesias, me dá uma comoção de ter escrito aquilo. Eu me acho deslumbrante como poeta e como escritora.

… Me vem o primeiro verso e depois, durante dias, vêm os outros, difíceis de trabalhar. Eu fico vermelha, passo mal. Acontece esse milagre…”

 

(Hilda Hilst - 1998 - Fico Besta Quando Me Entendem: entrevistas com Hilda Hilst / Cristiano Diniz (org.) - São Paulo, Globo, 2013)

 

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rastro de corpo sonoro - 2017/2018 - fotografias, desenhos, partitura e peça sonora - vista parcial da exposição água da palavra - quando mais dentro aflora - curadoria galciani neves - hilbertraum - berlim, alemanha - 2018

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rastro de corpo sonoro - 2017/2018 - fotografias, desenhos, partitura e peça sonora - vista da exposição água da palavra - quando mais dentro aflora - curadoria galciani neves - instituto adelina - São Paulo, brasil - 2018/2019